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As demandas clínicas da criança, algumas considerações.

O atendimento clínico com crianças é vasto e repleto de entendimentos; Lacan nos aponta que desde o começo devemos tomar a criança como um sujeito bem como escutar sua história por ele mesmo. Observamos que o espaço destinado a escutar a fala das crianças promove inúmeros questionamentos sobre este pequeno sujeito, que é recebido para atendimento psicanalítico.


Existe idade certa para iniciar tratamento psicanalítico?

Como o bebê e a criança chegam para o tratamento psicanalítico?

Do que se trata o brincar na clínica psicanalítica?


Na busca de encontrar possíveis respostas a essas questões, retomaremos algumas considerações teóricas sobre as especificidades da clínica psicanalítica com crianças e a experiência clínica infantil.


Existe idade certa para iniciar tratamento psicanalítico?


Para iniciarmos, usaremos a frase da psicanalista Françoise Dolto “Não existe uma idade mínima para começar uma análise”. Observa-se que apesar de existir vários estudiosos com caminhos e perspectivas diferentes, sobre psicanálise infantil, todos possuem uma percepção universal, escutam a criança pelo lugar que ela merece, ou seja, a criança é respeitada e escutada a partir do seu próprio desejo. É por esse pressuposto que existe toda e qualquer psicanálise com crianças e bebês.

Sabemos que todo bebê ou criança é um ser dotado de condições e de percepções a quem pode ser dirigida a palavra. A partir disso, percebeu-se que falar com bebês não era apenas um meio de chamar sua atenção ou entretê-los. Dessa maneira, os bebês ganharam espaço em um atendimento na clínica psicanalítica como por exemplo o autismo. Diante dos estudos atuais da temática, foi constatado que é possível atender bebês quando estes apresentam sinais de que não estão indo bem.

O atendimento psicanalítico infantil tem como proposta a escuta do sujeito inconsciente, ou seja, o sujeito que demanda e que deseja, e este não tem idade.

É importante salientar que embora a criança não tenha ainda seu discurso totalmente elaborado sobre as suas habilidades de verbalizar o que pensa e sente, tanto o bebê quanto a criança enquanto sujeitos de linguagem são capazes de se comunicar. E pontuamos que a criança é capaz sim de fazer associações livres, por meio do brincar, desenho, expressões artísticas, jogos e linguagem.


Como o bebê e a criança chegam para o tratamento psicanalítico? Existe um motivo específico?


Não existe um motivo único e específico para se buscar ajuda de um analista, as pessoas possuem os mais diversos, no entanto na clínica infantil, os bebês e as crianças chegam para análise, através de um adulto responsável por ela, normalmente os pais que podem perceber quando “algo não vai bem” com o filho e que nem ele e nem o filho, tem conseguido lidar ou entender tais questões.

Observamos que em muitos casos o encaminhamento para análise é feito, pela medicina, por profissionais da saúde, pela escola, por familiares e pelos próprios pais, diante de um comportamento diferente ou diante de algo inesperado de seu filho, como por exemplo, um acontecimento traumático, um choro constante, baixa do peso, entre outros.

As demandas mais comuns e frequentes estão relacionadas a dificuldades no relacionamento interpessoal, agressividade, tristeza, apatia, alimentação, dificuldade na atenção e ou aprendizagem, hiperatividade, medo, fobias, terror noturno, controle dos esfíncteres, separação dos pais, entre outros. Os bebês podem apresentar ainda, sintomas de choro constante, insônia, sonolência, recusa de se alimentar, irritabilidade no contato com o outro. Estes podem ser sinais e percepções de que algo não está bem com as crianças e bebês.

Observa-se ainda que, existem alguns casos em que a criança solicita o atendimento, que a criança pede a ajuda verbalmente solicitando o atendimento psicológico.


Meu filho brinca durante as sessões esse procedimento é correto? Do que se trata o brincar na clínica psicanalítica?


Sim, é correto utilizar o brincar na clínica psicanalítica infantil, esta é uma técnica utilizada pelo analista como uma forma de comunicação, pois é através desse brincar que a criança expressa suas ideias, pensamentos, emoções e ainda, o que está acontecendo no seu mundo e dos que convivem à sua volta. O brincar nesse espaço tem um olhar diferente do brincar no contexto escolar. No contexto analítico, o brincar se dá de maneira espontânea, não há ensinamentos, julgamentos ou inibições, é um espaço que permite que a criança se expresse livremente da maneira que lhe convém e é através dessa linguagem do brincar que o analista escuta o universo da criança e possibilita que a criança tenha voz e vez.


E com os bebês qual é a técnica utilizada?


Com os bebês o atendimento é com a família, os responsáveis devem participar das sessões juntamente do seu bebê, é necessário que o analista tenha um saber sobre as capacidades dos bebês. Segundo os estudiosos da área, devemos observar todos os sinais do desenvolvimento emitidos de diferentes formas, pelo olhar, sons, gestos, alterações de tônus, sonolência, insônia, alimentação, entre outros, esses são alguns sinais que compõem a linguagem do bebê, seu falar é articulado pelo corpo muito antes de aprender a falar.

É nesse falar pelo corpo que a analista vai - escutar, analisar e interpretar as expressões do bebê que estão ou não acompanhadas pela fala, possibilitando que a análise com bebês e crianças seja feita e que as angústias, sofrimentos e sintomas possam ser tratados e curados.


Waleska Mendes



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