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Crianças e isolamento, consequências psíquicas - um olhar psicanalítico.

Durante todos esses meses de pandemia com isolamento e perdas, como estão as crianças? Vocês já pensaram sobre isso? A psicanalista e Membro da Associação Matogrossense de Psicanalise e Coordenadora do Núcleo de Psicanalise infantil, Michéli Jacobi ofertou uma entrevista para o site O Livre https://olivre.com.br/angustia-tristeza-e-obesidade-como-a-quarentena-pode-afetar-as-criancas





1) O isolamento afeta mais as crianças?

O Isolamento tem afetado todo sujeito, bebês, adolescentes, adultos, idosos e também as crianças, tanto as pequenas quanto as maiores.


2) Elas conseguem lidar por si mesmas com a situação de não poder ir para a escola, não ver os amigos?

É necessário explicar sobre o atual momento, as crianças têm o direito de saber e acompanhar o que está acontecendo e os adultos devem explicar sobre o motivo de não sair de casa, de não ir à escola, mas é claro, os adultos devem pensar nas palavras e na quantidade de informações, ou seja, é importante filtrar as notícias que chegam e ainda, escolher fontes seguras e confiáveis para não sobrecarregar as crianças. Ressalvo ainda, que as informações não devem amedrontar, mas apenas informar e também os pais devem assegurar as crianças que estão tomando as providencias e todos os cuidados.


3) Pode haver casos de efeitos psicológicos mais graves nas crianças, como ficar mais quietas e retraídas?

É inevitável os impactos psicológicos do isolamento na vida das pessoas, inclusive na vida das crianças e adolescentes. Alguns sintomas que estamos observando são: níveis de ansiedade, alterações de apetite, algumas crianças estão apresentando um aumento de peso significativo, outras a falta de apetite, algumas apresentam crises de angústia, irritabilidade, tristeza, alterações sono, tiques nervosos, isolamento e ainda, reações de medo de adoecer ou de morrer, ou ainda, de perder alguém.


4) Quais sintomas os pais precisam ficar atentos?

Alterações de apetite, obesidade, crises de angústia, ansiedade, irritabilidade, tristeza, isolamento, alterações sono, tiques nervosos.


5) Qual é a recomendação, já que não há previsão ainda em Mato Grosso para retorno das aulas e também ainda é inseguro sair para a rua?

Há aproximadamente 8 meses no MT o contato físico acompanhado de beijos e abraços, aperto de mãos foram limitados na nossa rotina bem como, as atividades coletivas nas escolas, trabalho, festas de aniversários, almoços e reuniões familiares, tudo isso teve que dar lugar ao distanciamento social, necessário para conter a propagação do vírus, ainda pouco conhecido. Existem diferentes percepções sobre esse período de pandemia, o que torna ainda mais importante o pensar, ouvir e falar com empatia e respeito, principalmente com as crianças, ainda devemos explicar que os cuidados devem ser mantidos e redobrados.


6) É recomendado colocar as crianças em contato com os amigos via rede social, por exemplo?

Já temos estudos que dizem que o uso excessivo de tecnologia não faz bem, em especial devemos pensar que o uso inadequado da tecnologia não faz bem para qualquer pessoa, em especial para as crianças, que podem receber informações que não é para idade e ou ainda, o excesso de estímulo com os jogos. Mas atualmente internet e a tecnologia se tornaram nossos aliados e diante da pandemia, aulas, reuniões, trabalho ficaram tudo no modo On.

Devemos usar a tecnologia da forma mais saudável possível, saber como os filhos estão usando, o que estão olhando, quais sites visitam é de extrema importância em qualquer época. As crianças desde antes da pandemia já falavam com as avós e parentes que moram distante via internet, utilizá-la para manter o contato não será inviável no momento, é possível falar com os familiares e amigos via redes sociais, mas com os cuidados necessários.


7) Os eventuais efeitos psicológicos da pandemia são temporários?

Não sabemos, até mesmo porque a pandemia não está sendo temporária, não sabemos quantos meses ainda serão necessários de isolamento e restrições. Mas podemos pensar que um sintoma que entra em constância está causando um sofrimento psíquico e se faz necessário ajuda de um profissional. Quando procurar a ajuda? Quando for observado a intensidade e a constância dos sintomas, é necessário a ajuda de um profissional psicólogo, psicanalista.


8) Elas têm mais facilidade para se adaptarem ao “novo normal”?

O “novo normal” é difícil para todas as pessoas e para as crianças também é difícil, elas perderam a rotina que tinham, estão a aproximadamente 8 meses sem ir para escola, não estão indo nos parques, não estão vendo os amigos, esse momento é difícil para todos.

Algumas coisas podem ajudar neste momento para adaptação como, reorganizar a rotina semanais, a rotina oferta uma maior sensação de segurança e estabilidade, desenvolver estratégias de cuidados da casa, e de si, atividade física regular, cuidados com a alimentação e atividades de laser entre os familiares, auxiliam a vivenciar esse momento de uma forma mais leve e a enfrentar os desafios do dia a dia.


Michéli Jacobi

Psicóloga e Psicanalista, Mestre em Psicologia pela UFMT e Membro fundador da AMP – Associação Matogrossense de Psicanálise e Coordenadora do Núcleo de Psicanálise Infantil.

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