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Dia Internacional da Música




O dia 1º de outubro foi instituído como o Dia Internacional da Música em 1975, com o apoio da UNESCO, com objetivo de promover a paz e a amizade entre os povos com o auxílio da música.


Este objetivo de promover amizade entre os povos, possui um aspecto interessante, de fato, a música possibilita um mergulho sensorial... alegria, tristeza, euforia, angustia, amor, ódio, etc... algo na música convoca o sujeito a uma experiência física e subjetiva, que embora individual, também é coletiva, afinal as identificações com os estilos musicais, as letras, os ritmos, unem massas que se tornam grupos identitários... podendo existir um “sentimento oceânico” na música, conceito de Romain Rolland para a religião, que seria a sensação de totalidade, eternidade, algo sem fronteiras, sem barreiras, algo que move e integra, e foi utilizado em uma carta ao amigo Sigmund Freud, que a partir da inquietude que experimentou disto que chamou de “magia da ilusão” que lhe teria trazido algumas dificuldades, por não conseguir encontrar esse “sentimento oceânico” em si, inicia o “Mal-estar na cultura” dizendo “Quanto a mim, eu não poderia me convencer da natureza primária de um sentimento como esse. Mas, nem por isso autorizo-me a contestar a sua efetividade em outros.”


Porém, ao falar sobre música podemos encontrar lugar nesse sentimento totalizante, integrativo, pois ao pensarmos em um gênero musical, seja clássico, rock, pop, MPB, samba e sertanejo (raiz ou universitário), logo vem à mente uma espécie de estilo, padrão, tanto de quem produz, como de quem se identifica com este produto e o consome, isso não é aleatório, existe uma construção social enquanto cultura de massa. Algo aí colou, fez sentido, encontrou um significado na cadeia significante deste sujeito, pois que, existe um simbolismo inconsciente implícito nisso que convoca cada sujeito, algo pulsional impele este um, que é atraído a uma busca por seus semelhantes. Essa relação de encontrar um lugar no grupo, na massa, é muito visto durante a adolescência, os grupos identitários dos rockeiros, sambistas, sertanejos, etc... pois como apontou Freud neste mesmo texto, por mais individual que seja a construção desse sujeito ela passa pelo coletivo, ou melhor, ela parte deste coletivo, isto é indissociável ao sujeito.


Partindo ao conceito do que é Música, esta palavra vem do grego musiké téchne, significa a arte das musas. O Pai da Psicanálise, Freud, não era um apreciador da música como modelo de arte, seu apresso era mais voltado a escultura, literatura, poesia, porém, no texto a “Interpretação dos Sonhos”, instaura para a música a função de ativadora de lembranças, e isto é uma experiência que a maioria das pessoas já vivenciou ao ouvir uma música que esteve presente em sua vida, que acaba por trazer à tona memórias de algo, por mais remoto ou distante que esteja o fato experienciado. 


O psicanalista Denis Vasse, discípulo de Jacques Lacan, em seu livro o Umbigo e a Voz de 1974, aponta a voz como cordão umbilical que nos une e separa do Outro primordial, a mãe. Segundo ele, a primeira experiência que temos do Outro materno é a sonoridade da sua voz, o ritmo do seu coração, as batidas das suas pulsações, só depois virá o cantarolar instrumental, o ninar, que apazigua o desamparo. A música não é apenas voz, mas parte muitas vezes dela, música é linguagem, linguagem esta que somos inseridos muito cedo e que nos constitui enquanto sujeitos.


Tecnicamente, muito se diz sobre o que é música. Entretanto, um dos poucos consensos é que ela consiste em uma combinação de sons e de silêncios, cada som é importante, e cada silêncio é fundamental. Neste sentido, engloba toda combinação de elementos sonoros destinados a serem percebidos pela audição. Isso inclui variações nas características do som (altura, duração, intensidade e timbre) que podem ocorrer sequencialmente (ritmo e melodia) ou simultaneamente (harmonia). 


Percebe-se que existe uma tríade musical: ritmo (designa aquilo que flui, que se move, movimento regulado), melodia (sucessão coerente de sons e silêncios, que se desenvolvem em uma sequência linear com identidade própria) e harmonia (relação de encadeamento dos sons simultâneos). 


Nesta data, a partir da psicanálise, outra possível questão que pode-se pensar sobre a música, é a musicalidade que existe no processo de análise, o sujeito atravessado por seus sintomas, traz as queixas do que o angustia ao analista, e a partir deste laço que o sintoma faz na tríade de real, simbólico e imaginário, o sujeito é convidado a falar, a dar o tom da sua angústia, na sua própria linearidade, muitas vezes nada linear, e na melodia do riso ou choro, ora com palavras sussurradas ou rompantes de intensidade vocal, pode então colocar em movimento as cadeias de significados e significantes estabelecidos desde os tempos mais remotos, que foram constituintes da sua subjetividade, mas que muitas vezes perdem o sentido, ou este se faz cair; neste processo de composição, execução e interpretação é necessário recordar, é preciso muitas vezes repetir, e ao se ouvir dizer o que muitas vezes fez calar, ao se perceber neste lugar, se faz necessário silenciar para poder elaborar, e então, mais uma vez continuar a falar...


Autoria: Mariana Ramon 

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